Born to Lose

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Bruna Garcia, 18 - Brazil. Tattoos, musics, peace,moon, photograph...
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Vamos lá para mais um daqueles pensamentos que nunca chegam a coisa alguma. Tenho me questionado bastante sobre o querer e a necessidade. Aliás, tenho questionado demais meus pensamentos e sentimentos. Penso que, não preciso e não ligo em ter algum ao meu lado e essa coisa toda. Mas, por outro lado, todas as noites eu discuto comigo ao deitar na cama: não sei se realmente preciso de alguém ou não. Pior ainda, tenho pensado na possibilidade de que eu tenha vergonha de assumir que preciso de alguém. Um alguém especial, que iria fazer os meus dias bem diferentes, além de me tornar uma pessoa diferente. Aquele alguém que ia me fazer amadurecer – de uma certa maneira – . Cheguei a conclusão de que, uma hora ou outra, todos precisamos ter alguém, aquele alguém que sonhamos a vida toda em conhecer. E enquanto eu não a conheço, continuo aqui, brigando comigo mesma todas as noites, fingindo que não preciso de ninguém, além de mim.

brunagarcia

Em dias como este vivo me perguntando se alguém, em algum lugar, alguma vez escreveu meu nome junto ao dele. Se já fui o último pensamento de alguém antes de dormir, se já colocaram a inicial do meu nome entre um coração ao digitar algo à alguém. Me pergunto se já fui o você do texto de alguém. Me pergunto também se já tentaram escrever alguma carta para mim, se já contaram à alguém,com os olhos brilhando, que me viu em tal lugar. Se o coração de alguém já acelerou ao me ver e o estômago encheu-se de borboletas. Essas coisas todas que sentimos e fazemos por quem amamos. 

Vivo me perguntando quando é que vou passar por isso e ficaria mais que feliz em saber que já sentiram ou sentem isso por mim.

Bruna Garcia.

Tenho pensado muito em te escrever e te dizer o quanto faz falta. Tenho lembrado de momentos vividos com você, os quais jamais esquecerei. Momentos estes que me remetem boas lembranças mesmo que doloridas. A vida parecia ser tão doce, tão mágica, tão cheia de vida quando tinha você por aqui e já faz um tempo que eu não a sinto dessa maneira.

Vezes aquelas que me pego sentada na cama, fitando atentamente todos os cantos desse quarto. Cantos que, se pudessem falar, contariam estórias maravilhosas de nós dois, daquelas estórias de amor, daqueles filmes franceses. 

Não sei quão bom é relembrar essas coisas, esses momentos… você! Talvez eu tenha é que criar, como é que dizem, vergonha na cara (?) Não sei, deve ser. Talvez eu deva olhar pra frente e esquecer você…saber o meu lugar. Já dizia um grande músico,cantor,compositor,escritor.

Chuva caindo, músicas ao fundo. Tantas pessoas e eu vou justo ver você. E quando o vi, cortando pelo meio da festa, parecia que tudo que eu sentia há uns anos atrás, voltou a tona. Aquela sensação de desespero, nó na gargante. Aquela vontade de fugir, ou correr pra você, falar com você. Perguntar “Como foi seu dia ?” ou “O que tem feito da vida ?”. E também perguntar “Está namorando?”, só pra sentir aquele alívio ao ouvir você responder que “Não estou não!”. Porque eu bem sei que seus relacionamentos não duram  mais de 3 meses, que você enjoa fácil (enjoa porque nunca encontrou um alguém que realmente estivesse procurando).

Mas eu permaneci no mesmo lugar, imóvel, olhando em direção à festa. Como sempre, fingi não ter notado sua presença só para que você notasse a minha e viesse falar “Oi, quanto tempo…”.

Ai de repente, você saiu da minha vista. Disfarçadamente eu te procurava em meio a multidão, mas com receio de que eu realmente te achasse – era um quero-não-quero-te-ver – E não te achei. Me contentei, sorri aliviada e continuei olhando a festa. Casais jovens se amando. Casais de senhores – como são lindos né ? – também se amando e dançando ao ritmo da música italiana que tocava ao fundo. Eram tantos risos, palmas e eu ali presa à um pensamento inconveniente.

Resolvi sair, dar uma volta (lê-se: procurar você, ver com quem estava). E novamente, em meio a multidão, consegui lhe ver e disfarcei. Dessa vez você me notou, eu senti seus olhos sobre mim e sorri para mim mesma feito uma tola. Passei a uns 2 metros de você, com a mesma sensação de sempre. Achei que fosse me chamar, mas esperava que não também. Me desliguei por uns instantes enquanto conversava com outras pessoas, as quais resolveram voltar para o lugar do começo da estória. E seguimos. Fiquei feliz, pois teria mais uma chance de lhe ver.

Olhei para o mesmo lugar onde tinha lhe visto e não o encontrei. Disfarcei um sorriso, fingindo estar na conversa das minhas companhias e segui. Tive a impressão de ouvir sua voz me chamando, mas não consegui me virar para conferir se era mesmo você. No fundo eu sabia que era você, reconheceria  sua voz a quilômetros de distância.

E fui. Fui embora, mas o caminho todo até em casa meu pensamento não saia disso. Aquele arrependimento que bate por não ter ido falar contigo. Mas ao mesmo tempo agradece para que eu não fizesse o mesmo papel de tonta-atrapalhada na sua frente.

Queria seu abraço agora e sua companhia. Queria papear sobre como a vida é ruim e como as coisas são frustantes quando dão erradas. Você faz falta no meu dia-a-dia. Na minha vida.

Bruna Garcia